Seguramente, mau demais para ser verdade. Não quero cair na tentação de falar mal só por falar. Agora, perante o resultado adverso, não faltarão as críticas, nem os insultos. Todavia, ninguém é de ferro, ninguém é insensível, ninguém fica indiferente à raiva que sentimos, tanto pela frustração de quem não consegue atingir os seus objectivos, como pela bagunça que por aí vem na selecção de todos nós.
Quis, desde o início, mentalizar-me que as coisas poderiam bater certo. Mas, por muitas voltas que desse, ia sempre acabar neste feeling de que não íamos fazer grande coisa a terras africanas.
Os tiques de vedetismo; a falta de resposta a quem apenas queria contactar com os jogadores e restante equipa lusa, gente simples como eu, que apesar das críticas que aqui escrevo, é portuguesa com muito orgulho; a ausência de rigor nos treinos e na preparação dos jogos que disputámos; as ideias loucas de Queiroz e apesar da sua retórica, muito mal explicadas aos adeptos; a sensação de que o barco ia ao fundo mas onde continuava a tocar a orquestra; a entrada amorfa contra a Costa do Marfim; a nulidade contra o Brasil (apenas atenuada antes pela goleada à Coreia do Norte - agora se entende que o excesso de golos fez falta para outros jogos); a indisciplina que foi mais ou menos abafada; a falta de pulso naquele balneário; o vedetismo exarcebado de Cristino Ronaldo (sim, deveria ter feito muito muito muuito mais pela selecção), terminando na sua resposta mal educada de quem nunca passará de um puto mimado, iludido pelo sucesso que um dia passará e com a falta de humildade de quem perde uma bola e não ajuda os colegas; passando pela falta de cortesia de alguns atletas que simplesmente não souberam ficar calados, enfim...
Hoje reconhecemos que foi mau. Muito mau. Contudo, o pior está para vir. O impacto que algumas declarações têm já hoje e terão nos próximos dias confirma isso mesmo. O clima está mau e ninguém tem mão para segurar um conjunto de alguns meninos. O professor não foi capaz. A federação, veremos.
Viva Portugal, sempre. Ao menos que o patriotismo não esteja dependente de resultados. Mas estará sempre ligado ao que fazemos pelo nosso país. Daqueles portugueses (uns mais que outros, não quero ser injusto) não vimos tudo o que deveríamos ter visto.
quarta-feira, 30 de junho de 2010
segunda-feira, 10 de maio de 2010
PORTIMONENSE NA PRIMEIRA LIGA
Finalmente, conseguimos. Nestas horas e dias que se seguem de festa, em que nos sentimos todos de parabéns, creio que devemos olhar para o futuro com optimismo. Todavia, sem beliscar esta última frase, nem tão pouco por ter receio da pergunta sobre a qual ando a reflectir, devemos também perspectivar um clube que se deve manter unido, sólido e capaz de ser apenas o que pode ser. Por isso mesmo, fica a pergunta que me anda a consumir: e agora Portimonense?
sexta-feira, 7 de maio de 2010
CARTA ABERTA AOS PORTIMONENSES
Numa altura em que as veias literárias deitam cá para fora o que vai na alma dos seus amos, não quero deixar de expressar o que me vai na mente.
Amanhã, se Deus quiser, mesmo em recuperação da minha intervenção cirúrgica, estarei presente em Oliveira de Azeméis para assistir ao jogo do ano.
Eu sou do Portimonense, quer perca quer ganhe. Sou deste clube desde pequenino porque é o clube da minha terra. E, embora não partilhe este amor sozinho com o Portimonense, porque tenho um outro clube de quem gosto na mesma proporção e medida (não tenho rodeios de o afirmar porque não sou hipócrita como tantos outros que também os têm mas não o dizem), sei perfeitamente o que quero para este clube, qual a dimensão que ele deve ter e o sítio onde deve estar.
Pela segunda vez na minha vida tenho responsabilidades neste clube. Fui director nos anos de 2000 a 2003 e sou Vice-presidente desta direcção que iniciou funções em Outubro de 2006.
Em suma, continuo o mesmo adepto, embora com mais responsabilidades. Mas mesmo essas, que não me retiraram do chão (continuo a mesma pessoa), apenas vieram confirmar aquilo que penso: um clube é sempre dos e para os adeptos.
São eles, ou seja todos nós, que amanhã sentiremos o coração mais acelerado e o tempo a passar demasiado rápido ou lento, conforme o resultado em campo e a conjugação dos outros resultados fora dele.
Eu sou pessimista, sempre fui, confesso. Mas lá no fundo, quem me conhece, sabe que sou um optimista disfarçado que apenas se tenta proteger sempre dos eventuais maus resultados. Todavia, para que não subsistam dúvidas, tenho fé para amanhã. Mais do que ninguém quero o clube na Primeira Liga.
E tenho fortes razões para isso.
Destaco três grandes ideias.
Primeira: o clube está bem estruturado financeiramente e apesar dos resultados consolidados que nos impõem respeito, estou crente que a nossa eventual passagem pela divisão superior, não nos desviará do rumo traçado, antes nos trará outro campo de investimentos positivos;
Segunda: embora seja um crítico permanente da nossa passividade social (em termos de cidade e de apoios empresariais face ao clube), os recentes sinais que os portimonenses e não só transmitiram ao clube parecem-me interessantes. É certo que em tempos onde se vislumbra sucesso todos tendem a aparecer para dar palmadinhas nas costas, mas quero crer que está criada uma onda que nos permite sonhar com um tipo de apoio social/económico que não temos sentido;
Terceira: somos de facto um dos maiores embaixadores do município e da região e queremos continuar a sê-lo. A nossa missão passa por ir ao encontro do apoio institucional que temos tido por parte da Câmara Municipal de Portimão, justificando o investimento que é feito (refiro-me aqui especificamente aos apoios que nos são dados pela utilização da imagem), sendo mais um agente de promoção desta terra e da nossa gente. O palco da primeira liga pode proporcionar outros projectos. Apenas temos de saber interpretá-los.
Por tudo isto faz sentido ganhar. E eu penso que o conseguiremos, desde que todos os atletas e equipa técnica saibam entender que a história conquista-se e que “as finais são feitas para ganhar”. Tão só.
Não posso rematar este texto sem escrever uma verdade que apenas confirma tudo o que escrevi. Independentemente do que se passar amanhã, continuarei contente pelo que fizemos até aqui. Este é o nosso melhor cartão-de-visita quando entrarmos em campo amanhã.
Nuno Miguel Lopes da Silva
Sócio n.º 650
Amanhã, se Deus quiser, mesmo em recuperação da minha intervenção cirúrgica, estarei presente em Oliveira de Azeméis para assistir ao jogo do ano.
Eu sou do Portimonense, quer perca quer ganhe. Sou deste clube desde pequenino porque é o clube da minha terra. E, embora não partilhe este amor sozinho com o Portimonense, porque tenho um outro clube de quem gosto na mesma proporção e medida (não tenho rodeios de o afirmar porque não sou hipócrita como tantos outros que também os têm mas não o dizem), sei perfeitamente o que quero para este clube, qual a dimensão que ele deve ter e o sítio onde deve estar.
Pela segunda vez na minha vida tenho responsabilidades neste clube. Fui director nos anos de 2000 a 2003 e sou Vice-presidente desta direcção que iniciou funções em Outubro de 2006.
Em suma, continuo o mesmo adepto, embora com mais responsabilidades. Mas mesmo essas, que não me retiraram do chão (continuo a mesma pessoa), apenas vieram confirmar aquilo que penso: um clube é sempre dos e para os adeptos.
São eles, ou seja todos nós, que amanhã sentiremos o coração mais acelerado e o tempo a passar demasiado rápido ou lento, conforme o resultado em campo e a conjugação dos outros resultados fora dele.
Eu sou pessimista, sempre fui, confesso. Mas lá no fundo, quem me conhece, sabe que sou um optimista disfarçado que apenas se tenta proteger sempre dos eventuais maus resultados. Todavia, para que não subsistam dúvidas, tenho fé para amanhã. Mais do que ninguém quero o clube na Primeira Liga.
E tenho fortes razões para isso.
Destaco três grandes ideias.
Primeira: o clube está bem estruturado financeiramente e apesar dos resultados consolidados que nos impõem respeito, estou crente que a nossa eventual passagem pela divisão superior, não nos desviará do rumo traçado, antes nos trará outro campo de investimentos positivos;
Segunda: embora seja um crítico permanente da nossa passividade social (em termos de cidade e de apoios empresariais face ao clube), os recentes sinais que os portimonenses e não só transmitiram ao clube parecem-me interessantes. É certo que em tempos onde se vislumbra sucesso todos tendem a aparecer para dar palmadinhas nas costas, mas quero crer que está criada uma onda que nos permite sonhar com um tipo de apoio social/económico que não temos sentido;
Terceira: somos de facto um dos maiores embaixadores do município e da região e queremos continuar a sê-lo. A nossa missão passa por ir ao encontro do apoio institucional que temos tido por parte da Câmara Municipal de Portimão, justificando o investimento que é feito (refiro-me aqui especificamente aos apoios que nos são dados pela utilização da imagem), sendo mais um agente de promoção desta terra e da nossa gente. O palco da primeira liga pode proporcionar outros projectos. Apenas temos de saber interpretá-los.
Por tudo isto faz sentido ganhar. E eu penso que o conseguiremos, desde que todos os atletas e equipa técnica saibam entender que a história conquista-se e que “as finais são feitas para ganhar”. Tão só.
Não posso rematar este texto sem escrever uma verdade que apenas confirma tudo o que escrevi. Independentemente do que se passar amanhã, continuarei contente pelo que fizemos até aqui. Este é o nosso melhor cartão-de-visita quando entrarmos em campo amanhã.
Nuno Miguel Lopes da Silva
Sócio n.º 650
terça-feira, 23 de março de 2010
SERÁ QUE VALE A PENA?
Bem sei que escrever em causa própria é complicado e pode ser entendido como arbitrário. Mas a questão, colocada como tal, merece o correr de tais riscos. Falemos de futebol. Mas não só. Falemos de uma cidade, de um concelho e de uma região que é a minha, a sua e a de todos nós, sejam nascidos ou adoptados: o Algarve.
O caso do Olhanense tem-me deixado de sobreaviso. Sem falsas emoções, isto é, sem deixar que a rivalidade algarvia pudesse minar o que verdadeiramente sentia, na época passada, apoiei e fiquei feliz por o Olhanense ter subido à Primeira Liga do futebol português. Era e é bom para esta região.
Todavia, uma certa apatia que fui notando ao longo do tempo, na questão da angariação dos apoios monetários e sociais necessários para que a sua passagem seja mais do que uma curta visita, foi-me deixando apreensivo. E não tardei em olhar para o vizinho do lado…
Confesso que não tenho com o Olhanense a mesma relação que tenho com o Portimonense. Sou sócio do clube alvinegro, actualmente sou seu dirigente e, a par disto, enquanto homem nascido e criado em Portimão com muito orgulho, estou habituado a servir em muitas das associações deste concelho e, por isso, sou um conhecedor do estado das coisas.
Por isso, inquieto-me com a nossa apatia quase histórica. Não se trata de arranjar aqui um rol de acusadores e acusados. Trata-se apenas de pensarmos mais uma vez se valerá a pena o Portimonense subir de divisão sem o devido apoio monetário e o apoio popular (também muito importante)? Esta é a questão.
Independentemente da reflexão que julgo necessária, a minha opinião mantém-se, ou seja, o Portimonense, se conseguir, porque milita num campeonato muito competitivo, deve subir de divisão. Todavia, a par disto tem de haver uma reaproximação das pessoas ao clube e um certo comodismo a que estamos habituados, deverá ceder em nome de uma nova atitude.
Hoje, muitos têm sempre a tendência de colocar o ónus da culpa do lado dos outros, isto é, se os clubes não funcionam é porque os seus dirigentes, atletas e colaboradores não são capazes. E, como sabemos, o mundo de futebol é isto mesmo, hoje os maiores, amanhã os piores.
A profissionalização dos clubes, exigiu uma nova forma de gestão, por vezes, mal aplicada, mas, regra geral, e ainda bem que assim o é, num maior número de ocasiões, capaz de ir ao encontro dos novos desafios.
Apenas aqueles clubes que encontrarem uma massa adepta exigente, crítica mas leal, tão participativa como constante, conseguirão ter sucesso. Esta máxima não é conversa tola. É a consequência de uma entrega que faz andar a roda, isto é, que traz ao clube visibilidade e que o empurra para outros voos.
Lembro aqui, porque fui o responsável por essa ideia a nível intermédio, o facto de que por diversas vezes termos aberto o então Estádio do Portimonense ao público, tentando promover esse tal reencontro com as pessoas. O meu espanto foi enorme. As pessoas, mesmo assim, continuavam passivas, descrentes e pouco audazes.
É sempre mais fácil dizer que não há mecânica deste lado. O complicado é entender que se não houver essa participação, se não conseguirmos curar essa doença de que todos os portimonenses padecem, tudo ficará igual, isto é, continuaremos a ver os outros nos lugares que sentimos ter direito.
Desde há muito tempo que tenho vindo a abordar esta passividade. Não é de agora. Todavia, depois de um jogo onde tudo correu mal há dois fins-de-semana, e perante a recta final deste campeonato, faz todo o sentido deixar aqui essa questão de uma forma que não pretende ser ofensiva mas procura ser honesta.
Costuma-se dizer que em tempos difíceis e em que se requer união e participação, surgem atitudes que marcam e fazem a diferença. Será que temos capacidade de aprender essa lição?
A bola ainda está no nosso lado.
Publicado no Jornal Barlavento, edição de 18 de Março de 2010
O caso do Olhanense tem-me deixado de sobreaviso. Sem falsas emoções, isto é, sem deixar que a rivalidade algarvia pudesse minar o que verdadeiramente sentia, na época passada, apoiei e fiquei feliz por o Olhanense ter subido à Primeira Liga do futebol português. Era e é bom para esta região.
Todavia, uma certa apatia que fui notando ao longo do tempo, na questão da angariação dos apoios monetários e sociais necessários para que a sua passagem seja mais do que uma curta visita, foi-me deixando apreensivo. E não tardei em olhar para o vizinho do lado…
Confesso que não tenho com o Olhanense a mesma relação que tenho com o Portimonense. Sou sócio do clube alvinegro, actualmente sou seu dirigente e, a par disto, enquanto homem nascido e criado em Portimão com muito orgulho, estou habituado a servir em muitas das associações deste concelho e, por isso, sou um conhecedor do estado das coisas.
Por isso, inquieto-me com a nossa apatia quase histórica. Não se trata de arranjar aqui um rol de acusadores e acusados. Trata-se apenas de pensarmos mais uma vez se valerá a pena o Portimonense subir de divisão sem o devido apoio monetário e o apoio popular (também muito importante)? Esta é a questão.
Independentemente da reflexão que julgo necessária, a minha opinião mantém-se, ou seja, o Portimonense, se conseguir, porque milita num campeonato muito competitivo, deve subir de divisão. Todavia, a par disto tem de haver uma reaproximação das pessoas ao clube e um certo comodismo a que estamos habituados, deverá ceder em nome de uma nova atitude.
Hoje, muitos têm sempre a tendência de colocar o ónus da culpa do lado dos outros, isto é, se os clubes não funcionam é porque os seus dirigentes, atletas e colaboradores não são capazes. E, como sabemos, o mundo de futebol é isto mesmo, hoje os maiores, amanhã os piores.
A profissionalização dos clubes, exigiu uma nova forma de gestão, por vezes, mal aplicada, mas, regra geral, e ainda bem que assim o é, num maior número de ocasiões, capaz de ir ao encontro dos novos desafios.
Apenas aqueles clubes que encontrarem uma massa adepta exigente, crítica mas leal, tão participativa como constante, conseguirão ter sucesso. Esta máxima não é conversa tola. É a consequência de uma entrega que faz andar a roda, isto é, que traz ao clube visibilidade e que o empurra para outros voos.
Lembro aqui, porque fui o responsável por essa ideia a nível intermédio, o facto de que por diversas vezes termos aberto o então Estádio do Portimonense ao público, tentando promover esse tal reencontro com as pessoas. O meu espanto foi enorme. As pessoas, mesmo assim, continuavam passivas, descrentes e pouco audazes.
É sempre mais fácil dizer que não há mecânica deste lado. O complicado é entender que se não houver essa participação, se não conseguirmos curar essa doença de que todos os portimonenses padecem, tudo ficará igual, isto é, continuaremos a ver os outros nos lugares que sentimos ter direito.
Desde há muito tempo que tenho vindo a abordar esta passividade. Não é de agora. Todavia, depois de um jogo onde tudo correu mal há dois fins-de-semana, e perante a recta final deste campeonato, faz todo o sentido deixar aqui essa questão de uma forma que não pretende ser ofensiva mas procura ser honesta.
Costuma-se dizer que em tempos difíceis e em que se requer união e participação, surgem atitudes que marcam e fazem a diferença. Será que temos capacidade de aprender essa lição?
A bola ainda está no nosso lado.
Publicado no Jornal Barlavento, edição de 18 de Março de 2010
segunda-feira, 18 de janeiro de 2010
Mil Visitas
Reparo agora que este blog, apenas alimentado pelos artigos que vou escrevendo para a comunicação social regional e nacional, chegou às mil visitas. Interessante e, ao mesmo tempo, um claro motivo de orgulho para o autor. Obrigado a todos.
sexta-feira, 1 de janeiro de 2010
2010
A todos os que seguem este blog, desejo de uma forma sincera que o novo ano vos traga as melhores concretizações, sejam de que âmbito for. Bom ano.
quarta-feira, 16 de dezembro de 2009
A AFIRMAÇÃO DO MARKETING SEM GUERRAS
É frequente e, infelizmente, tem tendência para continuar a sê-lo. Na guerra surda e absurda em que cada um tenta justificar o saber que possui e o seu carácter imprescindível na empresa onde exerce funções, muitas das vezes, por causa destas questões mesquinhas, perdem-se recursos e tempo fundamentais.
A empresa é um todo. E essa noção de que tudo trabalha para o mesmo objectivo, isto é, garantir que se ganhará lealdade e satisfação nas trocas que existirão, é fundamental para enquadrarmos um dos próprios campos de saber, isto é, o marketing.
Ainda que venha a atravessar a sua adolescência, visto ser muito recente quando comparada com outros campos de saber, o marketing tem sabido interpretar o sinal dos tempos, marcando uma nova era e sendo um precioso aliado em quaisquer análises que se façam.
Por isso, ganhando o seu próprio espaço, sem que isso necessariamente signifique uma conflitualidade (apenas alimentada na cabeça de quem não sabe ou não quer compreender a sua importância), o marketing deve ser entendido como uma ferramenta importante para decifrar os novos mercados, os novos paradigmas e os novos comportamentos.
Entre outros autores, Philip Kotller, professor da Kellogg School of Management, Northwestern University (Estados Unidos) e personalidade reconhecida pelo Management Centre Europe, como “the world's foremost expert on the strategic practice of marketing”, descreveu este campo de saber como, «o processo do planeamento e execução da estratégia de conceptualização, promoção, estabelecimento de preço e distribuição de ideias, bens ou serviços que, através de um processo de troca, satisfaça objectivos individuais e/ou organizacionais das partes envolventes».
Philip Kotler, acrescentaria ainda, no seu livro Marketing de A a Z (Editora Campus, 2003), uma necessidade de «identificar necessidades e desejos insatisfeitos, convocando todos na organização para pensar no cliente e atender o cliente.»
Novamente recusando qualquer laivo de partidarismo fácil, até porque a minha formação inicial é de Gestão de Recursos Humanos, acredito que estas definições são bastante perceptíveis e de indiscutível importância.
Não abordarei aqui, porque não é esse o meu objecto, se o Marketing é uma ciência ou simplesmente o uso da tecnologia que temos ao nosso alcance. Prefiro outro ponto de partida.
Com muito pouco de acidental, há umas semanas atrás, o Comendador Rui Nabeiro, líder da empresa Delta, numa reportagem feita sobre a sua empresa, repetia até à exaustão que era “preciso inovar todos os dias para cimentar a nossa posição”. O que levará um homem sabido e com uma cultura de negócio apuradíssima a colocar uma enorme ênfase nesta questão?
Vejamos ainda outro exemplo. O que levará a Viarco, empresa centenária de lápis portuguesa, através de um dos seus responsáveis colocar também muita ênfase na profunda “necessidade de inovar para continuar a sobreviver no mercado”?
Na minha opinião, é simples. O Marketing, entre outras coisas, colocou-nos perante um paradigma de negócio cuja base não pode ser menosprezada. Ao trocarmos o foco no produto pela centralização no cliente, no apuramento e satisfação das suas necessidades para que nós (empresa) possamos estar também satisfeitos, foi dado um tiro no pensamento antigo que nos reportava para uma ausência de vida no processo de troca.
Inovar, neste quadro, é, não só uma necessidade, como uma exigência. Quem inova ganha, quem se deixa acomodar, perde. Ou, se preferirmos a sabedoria ancestral de um provérbio chinês, “se não mudarmos de direcção, é provável que fiquemos na direcção em que estamos”.
Ora, pelo que podemos constatar, muitos dos que hoje criticam abertamente “a demagogia do marketing e dos marketeers” faltaram às aulas onde se efectuou a aprendizagem desta cultura de inovação. Não viria mal ao mundo, se não tivéssemos que andar em permanente guerra sobre qual ciência é fundamental à empresa ou sobre qual deve ser dominante.
Não perfilho a ideia de que o marketing é o centro exclusivo do universo empresarial. Não gosto de radicalidades. Mas sei, por experiência própria, que este campo de saber tem alicerces para se manter vivo, o que revelará a sua utilidade face à quantidade de desafios que as empresas deste século têm, na senda da tal inovação constante que se lhes impõe.
Assim sendo, mesmo por entre algumas considerações fantasiosas que os marketeers continuarão a ouvir em surdina, estes deverão continuar a explorar novas abordagens, reunir cada vez mais dados para uma melhor análise do padrão dos consumidores e do seu consumo (iremos ouvir falar muito de neuromarketing), na procura de atingir o máximo de satisfação e lealdade destes.
Só assim chegaremos à essência de outro dos muitos conceitos proferidos por Philip Kotler que nos resume que «as boas empresas vão ao encontro das necessidades; as empresas excelentes criarão mercados».
Sejamos astutos. Isto só se consegue com a empresa a funcionar como um todo, na plenitude de todos os seus saberes devidamente entrosados e através de uma constante inovação, prática indispensável para sobreviver em qualquer mercado.
Publicado aqui http://aeiou.expresso.pt/a-afirmacao-do-marketing-sem-guerras=f553165 e na edição do Jornal Expresso, caderno de economia, edição de 19 Dezembro de 2009
A empresa é um todo. E essa noção de que tudo trabalha para o mesmo objectivo, isto é, garantir que se ganhará lealdade e satisfação nas trocas que existirão, é fundamental para enquadrarmos um dos próprios campos de saber, isto é, o marketing.
Ainda que venha a atravessar a sua adolescência, visto ser muito recente quando comparada com outros campos de saber, o marketing tem sabido interpretar o sinal dos tempos, marcando uma nova era e sendo um precioso aliado em quaisquer análises que se façam.
Por isso, ganhando o seu próprio espaço, sem que isso necessariamente signifique uma conflitualidade (apenas alimentada na cabeça de quem não sabe ou não quer compreender a sua importância), o marketing deve ser entendido como uma ferramenta importante para decifrar os novos mercados, os novos paradigmas e os novos comportamentos.
Entre outros autores, Philip Kotller, professor da Kellogg School of Management, Northwestern University (Estados Unidos) e personalidade reconhecida pelo Management Centre Europe, como “the world's foremost expert on the strategic practice of marketing”, descreveu este campo de saber como, «o processo do planeamento e execução da estratégia de conceptualização, promoção, estabelecimento de preço e distribuição de ideias, bens ou serviços que, através de um processo de troca, satisfaça objectivos individuais e/ou organizacionais das partes envolventes».
Philip Kotler, acrescentaria ainda, no seu livro Marketing de A a Z (Editora Campus, 2003), uma necessidade de «identificar necessidades e desejos insatisfeitos, convocando todos na organização para pensar no cliente e atender o cliente.»
Novamente recusando qualquer laivo de partidarismo fácil, até porque a minha formação inicial é de Gestão de Recursos Humanos, acredito que estas definições são bastante perceptíveis e de indiscutível importância.
Não abordarei aqui, porque não é esse o meu objecto, se o Marketing é uma ciência ou simplesmente o uso da tecnologia que temos ao nosso alcance. Prefiro outro ponto de partida.
Com muito pouco de acidental, há umas semanas atrás, o Comendador Rui Nabeiro, líder da empresa Delta, numa reportagem feita sobre a sua empresa, repetia até à exaustão que era “preciso inovar todos os dias para cimentar a nossa posição”. O que levará um homem sabido e com uma cultura de negócio apuradíssima a colocar uma enorme ênfase nesta questão?
Vejamos ainda outro exemplo. O que levará a Viarco, empresa centenária de lápis portuguesa, através de um dos seus responsáveis colocar também muita ênfase na profunda “necessidade de inovar para continuar a sobreviver no mercado”?
Na minha opinião, é simples. O Marketing, entre outras coisas, colocou-nos perante um paradigma de negócio cuja base não pode ser menosprezada. Ao trocarmos o foco no produto pela centralização no cliente, no apuramento e satisfação das suas necessidades para que nós (empresa) possamos estar também satisfeitos, foi dado um tiro no pensamento antigo que nos reportava para uma ausência de vida no processo de troca.
Inovar, neste quadro, é, não só uma necessidade, como uma exigência. Quem inova ganha, quem se deixa acomodar, perde. Ou, se preferirmos a sabedoria ancestral de um provérbio chinês, “se não mudarmos de direcção, é provável que fiquemos na direcção em que estamos”.
Ora, pelo que podemos constatar, muitos dos que hoje criticam abertamente “a demagogia do marketing e dos marketeers” faltaram às aulas onde se efectuou a aprendizagem desta cultura de inovação. Não viria mal ao mundo, se não tivéssemos que andar em permanente guerra sobre qual ciência é fundamental à empresa ou sobre qual deve ser dominante.
Não perfilho a ideia de que o marketing é o centro exclusivo do universo empresarial. Não gosto de radicalidades. Mas sei, por experiência própria, que este campo de saber tem alicerces para se manter vivo, o que revelará a sua utilidade face à quantidade de desafios que as empresas deste século têm, na senda da tal inovação constante que se lhes impõe.
Assim sendo, mesmo por entre algumas considerações fantasiosas que os marketeers continuarão a ouvir em surdina, estes deverão continuar a explorar novas abordagens, reunir cada vez mais dados para uma melhor análise do padrão dos consumidores e do seu consumo (iremos ouvir falar muito de neuromarketing), na procura de atingir o máximo de satisfação e lealdade destes.
Só assim chegaremos à essência de outro dos muitos conceitos proferidos por Philip Kotler que nos resume que «as boas empresas vão ao encontro das necessidades; as empresas excelentes criarão mercados».
Sejamos astutos. Isto só se consegue com a empresa a funcionar como um todo, na plenitude de todos os seus saberes devidamente entrosados e através de uma constante inovação, prática indispensável para sobreviver em qualquer mercado.
Publicado aqui http://aeiou.expresso.pt/a-afirmacao-do-marketing-sem-guerras=f553165 e na edição do Jornal Expresso, caderno de economia, edição de 19 Dezembro de 2009
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